Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 18 de abril de 2019

“Ephemeras“ de Inês Lourenço


Reencontrei na estante este “Ephemeras” de Inês Lourenço, editado em 2012, pela Companhia das Ilhas. São micro-histórias que roçam a poesia em prosa e/ou pequenas crónicas que mudam de ponto de vista com facilidade ou de certa forma inscontantes. Exercícios plenos de uma melancolia do pequeno detalhe e de caminhos sem destino.

Algumas passagens:
“As casas são o sítio inicial. Lugar de nascimento e de mortes. (p. 10)”;
“Nada de teorias da luz e do negro. Queres adormecer na seda da sombra sem autofagia das escolhas que eliminam a tua metade. (p.18)”;
“As escadas sobem-se ou descem-se, com toda a espécie de emoções ou cansaços. (p. 21)”;
“Aquele bombeiro tinha o nome de Orfeu. (p. 22)”;
“Apenas uma caixa de sapatos, de que já ninguém lembrava os sapatos. (p. 31)”.

Alguns textos são como rascunhos de ficção com desfechos invulgares, surpreendentes, irónicos, cruéis ou até excêntricos.

Inês Lourenço trabalha as palavras com rigor e sem medos, um raríssimo cuidado que não é habitual nos dias de hoje.



Vale sempre a pena percorrer a estante e reler o que já foi lido em tempos.

Ephemeras
Autora: Inês Lourenço
Editora: Companhia das Ilhas
N.º de páginas: 44
Ano de publicação: 2012
Dimensões: 110x150mm


A todos Boa Poesia!,
SN