sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ontem

*

ontem
a verdade atingiu-me
mesmo no meio da testa
tentei impedir o sangue de sair
mas
foi dor, daquelas que dói
e corrói
senti a cabeça inclinada
e o meu corpo vergado na vergonha
como uma parede torta e já em queda.
A minha intensidade negativa
de uma cor profunda e absolutamente negra,
não sei se saiu ou se ficou dentro

senti a verdade como uma pedra dura

fiquei uma grelha de esgoto
no chão
em pedaços
um puzzle desmanchado
e com falta de peças

estou novamente a ser negativo
e sem possibilidades...
tu que lês isto
resguarda-te de mim e
salva-te
aproveita a verdade e faz dela
um sabonete cheiroso
rasga estes versos e voa
porque o sentido para mim...
esse...
fugiu... esvaneceu... e...

PS. talvez um dia acabe este poema, ou até talvez o inicie de novo... a vida está cheia de poemas de merda.


SN